O MAR: muitas marés, uma única vaga de descontentamento

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O MAR: muitas marés, uma única vaga de descontentamento
19/09 a 10/10 de 2013

Artistas:
Ana Rito, André Romão, Daniel Schmidt e Gabriel Abrantes, João Seguro, Jorge Santos, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira, Mariana Caló e Francisco Queimadela  e Pedro Neves Marques.

Curadoria de João Laia.

“E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar?” – José Mário Branco FMI (1978)

A utilização do mar como símbolo e cenário de conflitos de identidade colectiva, social e individual tem um longo e complexo percurso histórico, incorporando questões díspares relacionadas com ideias como território, memória, economia e afecto. Portugal é um exemplo dramático deste tipo de dinâmicas: a sua localização geográfica aliada aos recorrentes conflitos com o país vizinho foram factores de grande importância na construção de um entendimento particular do elemento marítimo e ao seu papel preponderante no desenvolvimento do imaginário simbólico nacional. No interior desta evolução, o período conhecido como os Descobrimentos é o ponto central da auto-representação alegórica do país. A sua herança cultural foi-se desenvolvendo ao longo dos séculos, moldada de acordo com os diferentes projectos ideológico-políticos vigentes, que partilham o alicerce das suas construções identitárias num relacionamento simbólico e, por vezes, ritual e místico com o mar. Obras como Os Lusíadas de Luís de Camões, A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, A Mensagem de Fernando Pessoa, a Ode Marítima de Álvaro de Campos, ou A Jangada de Pedra de José Saramago são referências literárias maiores numa ampla constelação de exemplos possíveis.

Apesar da complexidade deste processo de projeção identitária, a permanente utilização do mar ao longo dos tempos levou à sua sólida incorporação no inconsciente social do país. No decurso de séculos, a referência ao elemento no interior de diferentes interpretações e narrativas sobre Portugal tornou-se uma ferramenta eficaz, estimulando a activação de um esquema de referências partilhadas socialmente. É simples identificar a sua presença nas representações contemporâneas do país, uma recorrência que se deve tanto à sua utilização repetida como à presumida unanimidade que cada referência tenta comunicar. A sua aplicação tornou-se transversal na sociedade portuguesa, sendo observável em discursos institucionais ou de oposição, em práticas artísticas, documentos de pesquisa ou conversas informais. Como exemplos recentes pode-se indicar a afirmação de 2011 do Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho: “em 2013 Portugal terá dobrado o cabo das Tormentas” (1), a auto-caracterização como “marés” de diferentes agrupamentos de uma manifestação em Maio passado (2), ou a representação nacional na Bienal de Veneza de este ano, que apresenta o cacilheiro apropriado por Joana Vasconcelos. Outros casos relevantes podem ser identificados no tema escolhido para a Expo’98: Os Oceanos um património para o futuro, ou na localização escolhida para formalizar a entrada de Portugal na Comunidade Económica Europeia em 1986 e assinar o Tratado de Lisboa em 2009: o Mosteiro dos Jerónimos. Este conjunto de eventos apresenta uma forte carga ideológica, desenhando diferentes tentativas de (re)construção da identidade nacional que, paradoxalmente, se alicerçam, de forma constante, na mesma entidade simbólica. Entre as inúmeras outras possibilidades que ilustram esta dinâmica, podem ainda ser referidos o grupo pop dos anos oitenta Heróis do Mar ou o ditado popular “Há mar e mar, há ir e voltar.”

o Mar: muitas marés, uma única vaga de descontentamento apresenta uma selecção de trabalhos recentes, que reflectem a utilização do mar como agente simbólico e onde cada intervenção, neste contexto, problematiza, sublinha e/ou acrescenta outras dimensões à meta-narrativa que tem permeado a construção da identidade colectiva do país. Da mesma forma, pretende-se também relacionar o conjunto destas pesquisas com o contexto actual do país, onde o universo marítimo tem sido utilizado com regularidade no interior de diferentes discursos, funcionando como um porto de abrigo para uma identidade em crise. o Mar: muitas marés, uma única vaga de descontentamento não é uma colecção exaustiva das representações do elemento marítimo produzidas no meio artístico português. A exposição propõe, de outro modo, questionar discursos cristalizados, abrindo a possibilidade a outros tipos de (auto)representação e explorando os pontos de continuidade e ruptura entre a pluralidade de discursos artísticos apresentada e a imagem presente do país. O eco entre a citação de José Mário Branco e a situação actual reflecte a estrutura cíclica da utilização do imaginário do mar e aponta a necessidade de problematizar esta narrativa através de um debate público, no qual esta exposição se pretende inserir.

João Laia

Exposição programada no âmbito do Festival Fuso

Praça Marquês de Pombal, 3 – 1250-161 Lisboa

Gradations of Time over a Plane

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Exhibition at O’Artoteca (Milan)
4th of June 2013

Gradations of Time over a Plane

During the last three years, since March 2010, Mariana Caló and Francisco Queimadela have been working together on the constitution of a major project entitled Gradations of Time over a Plane.
It consists of an ongoing inquiry upon the symbolic manifestations of the conception of Time in natural and man-made territories, which is then processed into chapters (currently nineteen) that can assume various configurations, sizes and temporalities, ranging from such diverse media as film projections, video installations or site-specific environments.
The research process of Caló and Queimadela is operated through an attentive observation of objects, images and landscapes that they relate to, which are frequently embedded within their own sphere of action and movement (things and situations they encounter or places they inhabit, they cross or that they belong to). But this research is only the starting point to the development of artworks that result from a deep reassembling of the collected material. The result is often a tight cross-breed between documentary-making, ethnographic practices, and diaristic procedures that establish complex articulations between images, textures and sound.
For their first solo-show in Milan, Mariana Caló and Francisco Queimadela will present a selection of chapters from Gradations of Time over a Plane in a new display specifically conceived for O’.

*** La mostra di Mariana Caló e Francisco Queimadela è realizzata
in collaborazione con e grazie a Filipa Ramos, e al progetto A Bed is a Door #1 di Jacopo Mazzetti, svolto a Villa Romana, Firenze, giugno 2013

O’ via pastrengo 12, 20159 milano
http://www.on-o.org

A ENTREVISTA PERPÉTUA

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Exposição – A ENTREVISTA PERPÉTUA
26/04 a  31/07 de 2013 – Edifício AXA,Porto
Colecção de Serralves, “Colecção Ana Jotta” e convidados

Esta exposição promove um diálogo entre as peças da artista Ana Jotta, que integram a Coleção de Serralves, e obras de outros artistas nela representados. Pode ser vista enquanto um encontro de coleções: Coleção de Serralves e “Coleção Ana Jotta”.Para ver no edifício Axa até 31 de julho.

Artistas na exposição:
Pedro Barateiro; Isabel Carvalho; Pedro Casqueiro; Patricia Dauder; Ana Jotta; David Lamelas; João Marçal; Dennis Oppenheim; Musa paradisiaca (Miguel Ferrão e Eduardo Guerra); Mariana Caló & Francisco Queimadela; Nuno Ramalho ; Ângelo de Sousa

Curadoria: Ricardo Nicolau e Filipa Loureiro
Produção: Fundação de Serralves

http://www.serralves.pt
Edifício AXA, Avenida dos Aliados, nº 211

 

Observatório

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BES Revelação – Exposição no BES Arte & Finança
19/04 a 31/05 de 2013

“Os vencedores da edição de 2012 do BES Revelação foram Diana Carvalho, Joana Escoval, Tiago Casanova e a dupla Mariana Caló & Francisco Queimadela. Cada artista recebeu uma bolsa de produção que lhe permitiu produzir os projectos apresentados na Casa de Serralves no Porto, exposição que agora se apresenta  no espaço Bes Arte & Finança em Lisboa.”

Praça Marquês de Pombal, 31250-161 Lisboa

Cinemas 2 – Drive in

Screening – Garagem GAREPORTO
4 de Abril

Cinemas 2 – Drive in
Projecções de André Sousa, Miguel Leal e Francisco Queimadela & Mariana Caló

“Este Cinema 2 – Drive in leva-nos assim para um dos sítios onde as máquinas se sentem bem, e onde as máquinas do cinema encontram a cinemática dos motores. No piso subterrâneo da garagem iremos ouvir os motores em desaparecimento dos automóveis e iremos evocar os motores em devir do cinema…

…Down, down in the basement we hear the sound of machines
And I, I’m driving in circles

Come to my senses sometimes…
[Talking Heads, 1983)”

Garagem GAREPORTO
Rua José Falcão nº168, Porto

Pretérito Imperfeito

Exposição colectiva na Galeria Presença (Porto)
19/01 a 23/02 de 2012

“A exposição colectiva Um Pretérito Imperfeito de Mafalda Santos, Jan Serych, Mariana Caló & Francisco Queimadela, reúne obras que directa e indirectamente indagam sobre a natureza do tempo e sua relação com o espaço, a construção da história e da experiência.”

Galeria Presença
Rua Miguel Bombarda, 570 – Porto

Observatório

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30 de Novembro 2012 a  31 de Março 2013 – Serralves (Porto)


OBSERVATÓRIO de Mariana Caló & Francisco Queimadela, integrado na Exposição Bes Revelação na Casa de Serralves


“Os vencedores da edição de 2012 do BES Revelação foram Diana Carvalho, Joana Escoval, Tiago Casanova e a dupla Mariana Caló & Francisco Queimadela. Cada artista recebeu uma bolsa de produção que lhe permitiu produzir os projectos agora apresentados na Casa de Serralves, numa exposição comissariada por Carolina Rito e com o mecenato exclusivo do Banco Espírito Santo. ”



www.serralves.pt